#title Henri Zisly em La Vie Naturelle (1910)
#author Henry Zisly
#LISTtitle Henri Zisly em La Vie Naturelle
#date 1910
#source https://www.libertarian-labyrinth.org/working-translations/henri-zisly-in-la-vie-naturelle-1910/
#lang pt
#pubdate 2025-12-21T22:32:53
#authors Henry Zisly
#topics Naturalismo, natureza, anarconaturalismo, anarco-naturalismo
#notes Traduzido por Inti. Titulo original: Henri Zisly em "La Vie Naturelle" (1910).
* A lógica nos ensina
A lógica nos ensina não apenas a não lutar contra a natureza, mas, ao contrário, a nos adaptar a ela; mas, para chegar a essa concepção, a vontade, o desprezo pelas críticas, calúnias e zombarias, assim como a perseverança no esquecimento voluntário das tentativas fracassadas ou contrariadas em seu objetivo, são necessários.
— H. Z.
(La Vie Naturelle, nº 4, Fructidor-Vendémiaire 1910, p. 29)
* O que são exatamente os Naturianos
** Esclarecimento
Para responder a diversas críticas, tanto verbais quanto escritas, declaramos novamente que:
1. — Os naturianos não são anarquistas se considerarmos suas concepções anticientíficas do ponto de vista da teoria comunista-anarquista, que é devidamente científica.
1. — Os naturianos são anarquistas do ponto de vista das diferentes frações libertárias existentes, mas anarquistas anticientíficos, evidentemente.
1. — Os naturianos, do ponto de vista político, são anarquistas, já que combatem o parlamentarismo, todo poder legal estabelecido, toda política, e não admitem como válidas senão as únicas leis naturais.
1. — Além disso, entre eles se encontram — do ponto de vista social — revolucionários e antirrevolucionários.
1. — Do ponto de vista alimentar: vegetarianos e onívoros.
1. — Do ponto de vista antialcoólico e antitabagista: moderados e abstêmios.
1. — Do ponto de vista dos temperamentos: nômades e sedentários.
1. — Do ponto de vista espiritualista — justamente por serem partidários da vida natural — são todos materialistas.
Qualquer outro conceito não conforme — em todo ou em parte — a estas declarações não nos pertence mais.
Não admitindo nem o partidarismo nem o absolutismo, reconhecemos, entretanto — e propagamos quando oportuno — toda tendência em direção à Vida Simples que se manifeste, venha de onde vier e de quem vier.
— Henri Zisly
(La Vie Naturelle, nº 4, Fructidor-Vendémiaire 1910, pp. 29–30)
* “Uma Questão de Temperamentos” (1910)
** Questão de Temperamentos
Por que existem diversas tendências no anarquismo? Porque há diversidade de temperamentos.
E parece lógico que indivíduos imbuídos de princípios comunistas-anarquistas não aceitem a parte científica contida nesses mesmos princípios, porque ela se revela contrária ao seu modo de vida, ao seu temperamento; e como não se pode transformar um temperamento — admitindo que isso fosse possível — de um dia para o outro, é preciso, portanto, aceitá-los entre as pessoas de concepções elevadas.
E já que se afastam dos princípios comunistas-anarquistas deixando um pouco de lado a ciência — pelo menos uma boa parte dela — e assim não são totalmente anarquistas, visto que seu anarquismo se encontra levemente modificado, serão então libertários (termo que designa o anarquista moderado), mas libertários anti-científicos.
Nesse caso, o naturismo libertário tem, portanto, o seu lugar plenamente indicado dentro do movimento anarquista.
— Henri Zisly
(La Vie Naturelle, nº 4, Fructidor-Vendémiaire 1910, p. 34)
* O elemento do peixe é a água
O elemento do peixe é a água, o ar é o do pássaro e a terra é o domínio do homem; seu organismo os obriga a viver no elemento que lhes é próprio. Portanto, desviar-se da ordem natural assim estabelecida os coloca num flagrante estado de inferioridade do ponto de vista da sua existência. Certamente, o gênio do homem pode suprir — em certa medida — essa inferioridade, mas apenas de maneira aleatória e de curta duração, pois o natural acaba inevitavelmente por retomar a dianteira.
Assim, náufragos, vítimas de explosões, inundações, automobilistas, aviadores etc. (vítimas de suas ciências) não podem se apresentar como vítimas da natureza, mas, ao contrário, como vítimas do Progresso, da civilização — o que é estritamente exato.
— H. Z.
(La Vie Naturelle, nº 4, Fructidor-Vendémiaire 1910, p. 36)