Título: Os Extremos
Data: 1852
Fonte: https://www.libertarian-labyrinth.org/working-translations/the-extremes/
Notas: Tradução por: Samuel N. Marques.

Evite os extremos e procure um meio termo, diz a Sabedoria das Nações.

Esse dizer, é claro, é muito verdadeiro: mas deve ser muito bem compreendido.

Cabe à filosofia examiná-lo e demonstrá-lo.

Digo que todo extremo, em si, é falso e implica uma contradição; mas com “extremo” eu quero dizer o elemento constitutivo de toda síntese, um elemento ao qual ela não pertence, que a constitui (isto é, a síntese) tanto melhor quanto é empregado mais energeticamente.

Assim, o proprietário é elemento constitutivo da ordem social, necessário, indispensável.

Negá-lo implica uma contradição.

Na linguagem comum dizemos: a propriedade deve ser restringida e não levada ao extremo.

Vou corrigir aqui a linguagem, a qual falta uma exatidão científica, direi: a propriedade, em si, forte ou fraca, poderosa ou controlada, como preferir, é exclusiva, fraudulenta, pecaminosa, egoísta e errada; contém dentro de si, o roubo.

Contudo, essa mesma propriedade, tal como é, é indispensável à ordem humana; e é até por isso que é necessária. Remova esse caráter individualista e você a tornará impotente….

Não é o extremo, a propriedade, que deve ser evitada: esse extremo sempre existe, pois é o próprio princípio….

Aqui, todos os meios termos felizes do mundo estão vinculados, pura arbitrariedade.

É preciso equilibrar a propriedade com um princípio contrário, que é, como preferirem, coletividade ou comunidade.

Não existe comunidade moderada: a comunidade em si é tão má como a propriedade…. Ela exige, não um corretivo, uma tesoura, um jardineiro para combatê-la, alguém para castrá-la: precisa de um equilíbrio.

Os dois princípios devem estar unidos, casados, penetrando-se mutuamente, de certa forma…. Por isso:

Teoria: Tudo o que pode ser apropriado deve ser apropriado; tudo o que pode ser agrupado, mesmo entre oque foi apropriado, deve ser agrupado.

(Da mesma forma que acontece com a concorrência, com o crédito, com o governo, etc.; divisão do trabalho, coletividade…)

Outras contradições estão sujeitas a uma lei diferente, por exemplo, a do peso morto — peso vivo. É certo que tendemos, e tenderemos constantemente, a reduzir um e aumentar o outro: essa é a lei do Progresso.